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O Não Famoso – Capítulo 2

O Não Famoso é uma série de histórias escritas por mim, Paulo, que contam a minha relação com a internet e seus fracassos. A ideia é chegar até o atual momento e contar casos e curiosidades sobre o Rolê de Casal também. Fiquem com o Não Famoso – Capítulo 2 – O primeiro emprego e a primeira rede social

Caso você tenha perdido o Capítulo 1, LEIA AQUI.

O NÃO FAMOSO

CAPÍTULO 2 – O PRIMEIRO EMPREGO E A PRIMEIRA REDE SOCIAL

Nessa altura da história, eu era o famoso sobrinho que arrumava os computadores da família. Confesso que eu gostava de me aventurar e aprender, e, ao contrário das lendas sobre sobrinhos e informática, eu nunca fiz um serviço ruim.

Foi aí que eu comecei a perceber que estava perdendo dinheiro, eu estava ferrado e trabalhando de graça. Decidi que iria procurar um emprego como técnico de informática, mas, mesmo tendo um pouco de experiência, não era tão fácil quanto parecia. A única oportunidade que apareceu foi uma vaga de Professor de Informática, numa escola que meu primo estudava, para Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Uma vaga de professor parecia improvável para um jovem perturbado e sem nenhuma formação, se eu não conseguia nem um emprego no Habib´s (sem desmerecer os funcionários do Habib´s, são bons, a esfiha que é uma merda).

Acordei cedo (tortura para um jovem insone e ansioso) e fui para a entrevista no tal colégio. Não lembro muito da entrevista, só lembro que a coordenadora que me entrevistou parecia precisar de alguém para a vaga desesperadamente, e parecia que eu era a única opção.

Depois de muito tempo frequentando as salas de imagens eróticas do Bate Papo Uol, a minha vida estava prestes a mudar, só estava prestes mesmo, porque não mudou.

Com o baixo salário que eu iria receber, claro que eu era a única opção, e depois de conhecer o “laboratório” de informática me perguntei: O que eu estou fazendo aqui? Era uma sala minúscula, com seis computadores, se não me engano, que poderiam ser -e eram- chamados de dinossauros. Eu estou falando de 2005, o computador já fazia parte do dia a dia de todo mundo (inclusive ganhei um novo depois de passar 10 anos com o mesmo), mas ninguém investia em tecnologia na educação.

Com o agravante de que alguns alunos eram especiais ou tinham problemas cognitivos (a vaga tinha a minha cara mesmo), eu teria que fazer milagre, e fiz.

Não sei se o fato da minha mãe ter sido professora me ajudou, mas eu levava jeito para a coisa. Pesquisei alguns materiais na internet – obrigado Apostilando –  e transformei em apostilas, depois fiz um planejamento para cada série, parecia tudo perfeito, apenas parecia. As salas tinham em média 15 alunos, portanto, eu só poderia levar metade dos alunos e os outros alunos deveriam ficar na sala de aula, sozinhos, comportados e com alguma atividade teórica.

Para piorar, dois dos seis computadores estavam com problema. Parece piada, mas é verdade, eu não conseguiria trabalhar o que planejei naquelas condições, sequer conseguiria trabalhar. É aí que entra minha segunda experiência com o entretenimento, eu teria que prender a atenção daqueles alunos e fazê-los produzir alguma coisa naqueles dinossauros, e eu só conseguiria se fosse algo divertido.

Não que eu tenha sido bem-sucedido, mas eu tentei muito. Já que não existia condições para a educação infantil utilizar os dinossauros eu criava e cantava músicas sobre computadores e também criava desenhos para colorir sobre tecnologia. No ensino fundamental, os mais novos aprendiam um pouco do Office e sempre que faziam as tarefas, eu deixava eles jogarem uns jogos bem toscos que os computadores suportavam.

Eles não se interessavam muito nos jogos, ninguém se interessaria por um Mario Kart genérico com gráficos e jogabilidade de um Polystation. Por isso eu precisava dar emoção para o jogo narrando as partidas e inventando uma história mirabolante para cada personagem, era divertido!

Já os mais velhos, além do Office, se aventuravam no RPG Maker (programa para criar jogos de RPG) ou no Front-Page (programa para criar sites). Eu precisava mostrar toda minha experiência e entusiasmo que tive com os blogs do capítulo anterior para que eles pudessem demonstrar algum interesse, funcionava, mas o que eles queriam mesmo era entrar no Orkut.

Ah o Orkut, terra das pessoas que a gente mal conhecia mas considerava “pakas”, do “só aceito com scrap”. Falando em scrap, era comum você receber um com um gif animado bem brega, foi no Orkut também que a moda das selfies tiveram início por aqui, com fotos “sensuais” tiradas em frente ao espelho utilizando uma câmera fotográfica de 5 megapixels.

Lembro que, pouco antes de eu começar a dar aulas, já se falava em uma tal de rede social que só entrava quem era convidado. O convite chegou até mim, a expectativa era grande, e quando finalmente conheci o Orkut pensei: Ta, e agora?  Como aquilo funcionava? Qual era o seu propósito? Por que as pessoas querem usar isso?

A resposta veio rápido, com a popularização dos computadores e da internet (se popularizava também a internet banda larga), muita gente também estava conhecendo o Orkut, existia uma sensação de sociedade secreta, porém, ficava cada vez mais comum reencontrar colegas de infância por lá, esse sentimento de nostalgia movimentava o Orkut.

Claro que, logo o Orkut virou moda, e seus recursos eram usados para expor a sua vida e fuçar a vida alheia. Ali nascia o conceito de que todos teriam seus 15 minutos de fama, era uma questão de status ter muitos amigos virtuais ou fazer a sua comunidade bombar.

Os jovens eram maioria no Orkut, assim como são hoje nas redes sociais, e encontravam nos depoimentos, scraps e comunidades um reduto para poderem se expressar de forma livre, livre até demais. As comunidades eram um grande exemplo de que tem louco para tudo e traziam um sentimento de “eu não estou sozinho”.

Lembro que algumas delas se tornaram gigantescas, era o caso da “Pérolas do Orkut” ou PDO, que devia ter, sei lá, mais de 100 mil membros (a maioria fakes). Numa rede social que reunia brasileiros de todas as classes, absurdos aconteciam diariamente, e a patrulha da PDO estava de olho para transformar o pobre coitado em chacota. Ali nasciam os primeiros virais, mas ao contrário de hoje, muitos tinham medo de virar uma pérola. Eu lembro que quase virei uma pérola, na época, briguei com o moderador dessa comunidade, que era conhecido apenas por Spy, e por pouco não tive meu perfil hackeado.

Foi então que eu percebi duas coisas, a primeira eu percebi agora, os HUE BR já existiam, a segunda, algumas comunidades se tornavam tão grandes que poderiam virar um bom negócio. Era necessário muito trabalho para administra-las e viravam assunto no dia-a-dia da molecada e até da TV. Eu mesmo tentei ter algumas comunidades, a de maior sucesso foi “Asmáticos do Orkut”, sério.

Quem tem asma sofre, é uma doença que é tabu até hoje e naquela época eu já tentava desconstruir o preconceito. Eu não estava sozinho, além dos asmáticos, estavam comigo também vendedores de receitas milagrosas para curar a asma. A popularização do Orkut trouxe também aproveitadores e estelionatários que enganavam os usuários, um desses caras, ao ser banido por mim, resolveu me infernizar.

A internet naquela época era terra de ninguém, nem se falava em crime virtual. Esse cara mandava mensagem para meus amigos dizendo que ia me matar, que colocaria as fotos da minha família nos presídios. Em todo e qualquer fórum ou comunidade sobre alergias ele fazia postagens me difamando e contando histórias absurdas, o cara era tão doente que eu tive que aceitar ele de volta na comunidade para as ameaças pararem. E vocês aí com medo da Deep Web, o Orkut era bem pior.

Mas nem tudo era ruim, me lembro da comunidade “Dragon Ball – O filme”, o filme foi horrível, mas tenho amizade até hoje com pessoas que conheci lá.

Depois de relembrar do Orkut com uma mistura de carinho e medo, vamos pegar a nossa nave louca e voltar para o “laboratório” daquela escola atrapalhada. A molecada já estava no Orkut e eu, contrariando as ordens do colégio, incentivava eles a utilizarem a rede social como ferramenta de estudo. Tentava mostrar para eles que aquilo era muito maior que depoimentos fofuxos, influenciados pelo emocore, que bombava na época.

Falhei miseravelmente, e devo ter sido o primeiro professor que tomou advertência (não só por liberar o acesso ao Orkut, eu era mais moleque que os alunos), mas ganhei a comunidade “Eu adoro o Profe Paulo”. Claro que eles gostavam de mim, eu era 100% sexy, digo, metade da sala ficava na quadra zoando e a outra metade ficava no Orkut. Mas eu gostei de me sentir especial, eu gostei tanto da coisa que criei a comunidade “Eu conheço o Paulo”.

Eu até era popular, no meu quarteirão, e descobri isso com o Orkut. Percebi que faltava muito para eu ser popular na vida e desencanei dessa história de querer ser popular na internet, assumi o fracasso.

O trabalho de professor durou aproximadamente 3 anos, embora minha família achasse que fosse apenas um trabalhinho qualquer, serviu para resgatar a minha autoestima e descobrir que existia uma certa eloquência em mim.  Nesse período eu fui até professor substituto de Artes (também por desespero da coordenadora) e organizei uma exposição de esculturas feitas com lixo reciclável, deve ter sido a pior exposição da história. A verdade é que eu estava tendo que usar toda a minha criatividade para ensinar naquelas condições, e mais que isso, eu precisava ter um que de ator para tornar isso possível. Agradeço a coordenadora que me entrevistou e a escola que me aturou por todo esse tempo.

Só que meu salário era muito ruim e a grana mal dava para bancar meu tratamento para ser um rapaz menos perturbado e o curso de Web Design na Microcamp, eu sei, deve ser o pior curso do mundo, mas era o que dava para pagar. Eis que surge uma nova oportunidade, o local que uma amiga trabalhava precisava de um auxiliar de suporte técnico (em informática), era a oportunidade que eu precisava para mudar de vida.

Confesso que não mudei de vida, mas peguei o trabalho, e se não fosse por esse trabalho talvez eu nunca tivesse feito um vídeo, mas isso é papo para o próximo capítulo.

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Videomaker, Técnico em informática, ex-Sacripanta, Vj da ex-mtv por 15 minutos e o mais importante, namorado da Vanessa, a parte do casal que presta nesse blog!