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O Não Famoso – Capítulo 4

O Não Famoso é uma série de histórias escritas por mim, Paulo, que contam a minha relação com a internet e os bastidores do canal Sacripantagens. Fiquem com o Não Famoso – Capítulo 4 – Sacripantagens.

Caso você tenha perdido o Capítulo 3, LEIA AQUI.

O NÃO FAMOSO

CAPÍTULO 4 – SACRIPANTAGENS

Em fevereiro de 2010, uma figura muito conhecida do Youtube Brasil surgiu. Estou falando daquele cara hipster, tatuado, vesgo e que reclama das mazelas da vida de forma engraçada. Foi essa a primeira (e óbvia) impressão que eu tive do PC Siqueira, quando chegou até mim, em Abril, o vídeo “Nerds e o Sexo, Shakespeare e Cerveja”, em que ele fala sobre o Nerdiossexualismo, nerds que só transam de 3 em 3 anos.

Não lembro exatamente quantas visualizações tinha o vídeo, mas sem dúvida era muito para um cara que estava falando banalidades para uma câmera. As pessoas estavam comentando sobre aquele cara esquisito que não se levava a sério, e mais, estavam se sentido encorajadas para fazer o mesmo.

Nascia então, o conceito dos Vlogs, aqui no Brasil. O PC Siqueira, acredito que sem saber, trouxe para o nosso país esse formato, que já se popularizava em outros cantos do mundo. Ele acabou captando, acho que sem querer também, o inconsciente coletivo de uma geração que passava por aquilo também.

O livro poderia começar nesse capítulo, e de fato começa, portanto, se você leu os capítulos anteriores, sinto muito, e se está começando a ler agora, sinto muito também. Escrevi três capítulos para chegarmos até aqui, e traçar um perfil, que é muito similar ao da maioria dos Vlogueiros quando começaram. Estávamos com problemas na vida social, profissional e um tanto quanto solitários e carentes, ou seja, fodidos mesmo!

O PC Siqueira era tudo que eu precisava para tomar coragem e voltar a produzir alguma coisa, valeu PC!

A primeira tentativa, gravada com uma péssima câmera fotográfica (daquelas compactas), ficou horrível. Eu achava que seria fácil ser espontâneo e dizer algo engraçado, mas ao ligar a câmera, travei. Eu não tinha a mínima ideia do que eu estava fazendo e, para não perder o vídeo, já que eu estava em frente ao meu aquário, resolvi comer comida para peixe e depois imitar o Pe Lanza, da banda Restart. Que bosta, eu sei!

Mesmo assim, resolvi subir o vídeo no recém-criado canal do Youtube, que ainda não tinha nome, e sem editar (eu nem sabia o que era um editor de vídeos). Compartilhei aquela tragédia no meu Orkut, que não deve nem ter chegado em 50 visualizações, e o único comentário que recebi foi do meu pai dizendo que eu parecia um candidato para uma vaga no BBB.

Porra, BBB é foda, aquele soco no estômago me faz parar e pensar em um “projetinho”. Nascia “Os Sacripantas”. Você deve estar pensando que esse nome é uma merda, e eu concordo, mas eu achava a palavra engraçada, e o significado: “Que não demonstra nem possui dignidade” combinava com meu atual momento e talvez com o dos demais vlogueiros.

Antes do projeto sair do papel, eu ainda tentei (sem sucesso, claro) fazer um vídeo onde eu dava cantadas chulas em uma amiga. Minha interpretação ridícula, somada ao áudio fora de sincronia, o constrangimento da menina e a edição tosca no Videopad (graças ao PC Siqueira agora eu sabia o que era um editor) o vídeo trazia uma grande vergonha alheia para quem o assistia.

Decidi que era hora de colocar Os Sacripantas no ar. A minha ideia era simples, voltar a ter um blog (blogs de humor tipo Kibe loco e Não Salvo estavam em alta há um bom tempo), chamar uns amigos e postar meus futuros vídeos no blog. Parecia uma ideia genial, fiz um banner com a fonte de “Uma Família da Pesada” e reuni 3 ex-alunos meus, que se tornaram amigos, para fazerem em vídeo as zoeiras que faziam em sala de aula.

Uma das primeiras tentativas, foi um vídeo culinário. Fizemos, ainda de forma bem tosca, miojo com bacon e maionese, numa espécie de esquete com bate papo, que deveria lembrar o Larica Total. Infelizmente não lembrava, era o mesmo vídeo sem roteiro, mal interpretado, com áudio ruim e mal editado que causava vergonha alheia.

Nessa época surgiam inúmeros canais, a maioria com produções ruins também, era comum fazer comentários nos vídeos dos outros, divulgando nossos canais. A verdade é que, exceto o PC Siqueira, fazíamos vídeos de vlogueiro para vlogueiro e no fim a gente acabava conhecendo virtualmente quase todo mundo que estava fazendo vídeos, esse movimentou se tornou o que a gente chamava toscamente de vlogosfera.

Um dos canais de destaque da época era o “Vagazoides”, que coincidentemente, era feito por dois adolescentes que moravam no meu bairro, um deles, conhecido meu. Era algo mais elaborado que ligar a câmera e opinar, eles faziam uma espécie de Stand-up em dupla, é difícil definir o formato pois naquela época tudo era feito de forma intuitiva e sem grandes planejamentos, mas certamente, as referências deles eram melhores que as minhas.

Outros canais também se destacavam pela qualidade, era o caso do Cachorro Molhado e o Xock no Mamilo, esquetes feitas por pré-adolescentes de forma muito criativa.

Resolvi que a referência do próximo vídeo seria uma mistura de Vagazoides e Com a Palavra, do Ronald Rios, que fazia uma espécie de vlog antes mesmo do PC Siqueira e, acabou indo para a MTV. Chamei o David, um dos ex-alunos, para formar uma dupla comigo e escolhi a pauta do vídeo, cagadas.

Eu não poderia exigir muito do David, que estava ali para ser meu escada, eu também não poderia exigir muito de mim, que mal sabia o que fazia, portanto, falar sobre caganeira parecia um acerto. Não sei porque, mas sempre achei graça quando o assunto envolve cocô, peido e essas escatologias, me diverti muito contando meus apuros reais e ouvindo os do David, que claramente eram fictícios, mas engraçados.

A expectativa era grande, a rejeição do vídeo foi menor e ele teve um pouco mais de visualizações, mas não obteve o sucesso esperado. Resolvi insistir mais uma vez e dessa vez criei um roteiro sobre internet, só que interpretar não era o nosso forte, e o vídeo ficou muito ruim.

Foi o suficiente para eu reformular tudo, eu estava decidido a fazer um bom trabalho dessa vez, aprender a editar melhor e criar roteiros mais elaborados e ensaiá-los antes. Decidi que eu seria uma espécie de apresentador, que faria cabeças para esquetes sobre assuntos aleatórios que eu dominasse.

Dias antes eu tinha ido na Virada Cultural, evento que, infelizmente, é conhecido pela multidão de mal-educados. Além disso, todo mundo passa algum perrengue em shows, principalmente nós, baixinhos. A partir dessas experiências resolvi montar um roteiro, chamado Muvuca (Grupo de pessoas fazendo bagunça), decorei o meu quarto com alguns posteres de filmes e chamei o David, Fernando e o Mario, todos ex-alunos, além do Gabriel que morava perto de casa.

A câmera ainda era uma daquelas fotográficas compactas, mas dessa vez um modelo melhorzinho. Posicionei ela no tripé e passamos o roteiro enquanto bebíamos vinho barato.

Na hora de gravar, estávamos bêbados, pensei que tudo daria errado, mas a gravação acabou fluindo da forma desejada. Eu estava um pouco menos artificial e a molecada fez o que deveria fazer. Mantivemos uma sessão de perguntas do formspring e outra onde mandávamos beijos, que era completamente inútil, pois, praticamente não tínhamos perguntas e nem gente interessada em receber beijos, portanto, era tudo fake.

Fui para a edição, meu computador ainda era o mesmo que ganhei em 2005, eu penava para fazer uma edição simples (que era o máximo que eu sabia fazer mesmo). O resultado final, na época, me agradou, era o melhor produto que havíamos produzido até então. Ali eu percebi que fazer vídeos dava trabalho e eu estava disposto a entrar de cabeça naquilo.

O nome “Os Sacripantas” me incomodava, achei que não combinava com aquela nova proposta, nós não éramos um grupo tipo “Os Trapalhões” e nem éramos tão canalhas, portanto, seria melhor dar um nome para o canal que tivesse a ver com os perrengues abordados, nascia então o SACRIPANTAGENS.

Subi o vídeo e divulguei, como sempre, nos canais dos amigos e nas comunidades do Orkut, e magicamente o vídeo passou de mil visualizações, para os padrões da época (exceto para o PC Siqueira, você já sabe) era um ótimo número. As pessoas estavam se inscrevendo no canal e elogiando o vídeo (sim, o padrão na época era baixo).

O caminho era aquele, trabalhar no formato para aprimorá-lo, mas não deu nem tempo de eu respirar e novos fenômenos surgiram com propostas cada vez melhores, que eu conto no próximo capítulo!

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Videomaker, Técnico em informática, ex-Sacripanta, Vj da ex-mtv por 15 minutos e o mais importante, namorado da Vanessa, a parte do casal que presta nesse blog!