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O Não Famoso – Capítulo 5

O Não Famoso é uma série de histórias escritas por mim, Paulo, que contam a minha relação com a internet e os bastidores do canal Sacripantagens. Fiquem com o Não Famoso – Capítulo 5 – Silvia Poppovic e Felipe Neto.

Caso você tenha perdido o Capítulo 4, LEIA AQUI.

O NÃO FAMOSO

CAPÍTULO 5 – SILVIA POPPOVIC E FELIPE NETO

Antes de começar esse capítulo de verdade, eu tenho que contar uma história para vocês, o meu primeiro contato com uma câmera. Só contarei essa história porque, além de só ter lembrado agora, é bizarra e talvez engraçada. Na verdade, eu gostaria de esquece-la, mas eu gosto de me torturar e consequentemente acabarei torturando vocês também, porque sim!

Voltaremos para 2006, ano em que eu já estava dando aulas, mas ainda carregava uma grande carga de problemas do passado. Um deles, a ansiedade, que me dava insônia, e me dava dores de cabeça.

Nessa altura do “livro”, vocês já perceberam que eu sou um tanto quanto “noiado” e nerd. Pois é, eu estava completamente engajado na causa enxaqueca, é sério, eu estava sempre presente nas comunidades do Orkut sobre o assunto e lá fiz alguns amigos. Um desses amigos, no caso, uma amiga, sofria muito com enxaquecas crônicas e tinha até feito um tratamento com, pasmem, Botox, sem sucesso.

Ela tinha alguma relação com a TV cultura, que eu não lembro mais qual era, e me contou de uma pauta sobre dores crônicas que iria rolar no programa da Silvia Poppovic. A ideia era ela ir contar o seu drama, mas ela não tinha coragem e, adivinha quem foi no lugar dela?

Eu sempre precisei me comunicar, a verdade é que eu estava com problemas e precisava ser ouvido, mas, porra, não precisava ser na TV aberta e transformar tudo em um show. Foi inevitável, vieram até a minha casa fazer uma matéria e o meu lado exagerado falou mais alto, mostrei minha caixa de remédios (muitos não eram para dor) e com a voz tremula e os olhos marejados, fiz a equipe da TV Cultura chorar. Foram entrevistar também o meu pai no seu escritório. Pronto, o circo estava armado para quando eu fosse participar do programa.

No dia da gravação, a equipe veio me buscar logo cedo. Eu fumava na época e, fui questionado pela produtora, se fumar assim tão cedo não piorava minhas dores, com um certo ar de dúvida sobre a veracidade do meu problema.

Chegando na TV Cultura, fomos para o Camarim, onde se encontravam os demais participantes. Me deparei com uma mulher deprimida por não poder mais exercer sua profissão de manicure, em função das fortes dores que sentia na mão. Um cara que sofria de fibromialgia (uma síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos), e tinha a porra de uma bomba de morfina, instalada dentro do seu corpo, além de parecer muito com o Pablo do “qual é a música? ”. E sua mãe, que também tinha fibromialgia e era fã da Silvia Poppovic.

Fiquei desesperado e pensando: O que eu estou fazendo aqui? Até eu começava a duvidar da veracidade do meu problema, que evidente, era o menor ali.

Fomos para o estúdio, a plateia já estava posicionada e o cenário formava uma espécie de roda de debate e, ao me colocarem ao lado da Silvia, ficou claro que eu seria o personagem principal do programa. Logo no início das gravações, soltaram a matéria que fizeram comigo, que comoveu toda a plateia, e para a minha surpresa, só tinham feito a matéria comigo. Porra, eles tinham um cara que tem uma bomba de morfina dentro do próprio corpo (e ainda parece o Pablo) e fizeram de mim o centro das atenções?

Logo depois, a Silvia Poppovic me perguntou como eu fazia para tentar ser um jovem normal, eu disse que eu era normal, criando um certo constrangimento. A partir daí ela resolveu me trollar, perguntando como era fazer sexo com dor de cabeça, e que eu precisava de uma namorada para melhorar.

Eu prontamente disse que namorava e na hora do sexo eu esquecia da dor, rimos muito e eu fiz ela engolir o microfone, mentira, mas rimos.

Estava presente também um médico conceituado do hospital das clínicas. No decorrer do programa, eu critiquei o sistema de saúde, alegando que os médicos pouco faziam para tratar a causa de uma dor crônica, apenas os sintomas. O médico respondeu bravo que se eu fosse menos sedentário, teria menos dores. Essa parte foi cortada, claro.

Os demais participantes, principalmente o Pablo, estavam mais entusiasmados do que eu para falar sobre doença, como se aquilo fosse um trunfo, definitivamente eu não deveria estar ali.

Quando a gravação terminou, algumas senhoras da plateia foram me consolar com abraços e beijos, lembro de uma que me ofereceu até massagem, dizendo que eu precisava de toque e amor.

Como se não bastasse, fiz uma divulgação em massa do programa e mobilizei toda a família para assistir. Claro que o resultado disso foi muito constrangedor, a exposição na TV aberta (mesmo da TV Cultura) era muito maior do que eu imaginava, a maioria dos meus familiares e amigos havia assistido. Boa parte estava morrendo de pena de mim, outros também duvidavam da veracidade do meu problema. Para piorar, o programa foi reprisado incansavelmente e, por um bom tempo eu tive que lidar com a repercussão desse misancene.

Não, não procure no Youtube, graças a deus não foi upado!

Essa foi a minha primeira relação com as câmeras, até que foi boa, mas um tanto traumática também. Porém, eu percebi que maior do que a dor, era a minha necessidade de estar dentro das telas, de me comunicar, e só estou dizendo isso para enfatizar ainda mais a origem do Sacripantagens, tipo filme que tem necessidade de sempre contar a origem de tudo, e ficar tosco, é a mesma coisa, além de eu “encher linguiça”.

Antes de voltar para 2010, vamos para 2009, ano em que Michael Jackson morreu, e o meu amigo Pablo estava lá numa matéria da Globo, sobre o rei do pop, falando da sua bomba de morfina. Um abraço Pablo e desculpa qualquer coisa!

Agora sim voltamos para 2010, um ano melhor para mim, e ótimo para o Youtube Brasil. Retomando, eu achava que estava chegando no formato ideal e, de repente, os moleques do Vagazoide postam o vídeo “Cigarros”. Viral da época, eles criticavam de forma muito inteligente e engraçada os fumantes, e se tornaram um meme com a clássica frase sobre o narguilé: “ Eu só fumo porque tem gostinho de maça. ”  “Sabe o que mais tem gosto de maça? Maça Porra! ”

A forma espontânea e inteligente de como aquilo tudo era dito, somada ao penteado teen do cabeçudo que estava lá para ser o “escada”, fizeram dos Vagazoides um sucesso. Eles também conseguiram traduzir o sentimento de um monte de jovens nos vídeos.

Mal deu tempo de assimilar esse vídeo e já fui surpreendido com outro, de um cara com uns óculos escuros escroto e sotaque carioca, que viria a gerar mais uma revolução no Youtube Brasil.

Claro que estou falando do Felipe Neto, um cara que acha exxxxcroto para caralho toda aquela moda de gente colorida, que bombava na época. E foi esse o primeiro grande viral dele, Gente colorida, vídeo produzido para o seu canal, Não faz sentido.

Todos estavam compartilhando e mostrando para os amigos o vídeo daquele cara, que era muito eloquente e vomitava de forma agressiva, tudo aquilo que muita gente queria dizer sobre aquela moda.

Se eu achava os vídeos dos Vagazoides bem feitos, aquilo, para mim, era uma superprodução. Uma ideia simples e genial, o cara achou o tom ideal, de certa forma intolerante, para fazer suas críticas.

Fiquei pasmo, aquele vídeo estava fazendo muito mais barulho que os outros citados, e eu não conseguia definir aquilo. Eu poderia chama-lo de PC Siqueira 2.0, injustamente, porque nessa época, todos nós éramos acusados de imitar o PC. Cheguei até a criar um rótulo chamado “hater stand-up” e tentava entender a estratégia do mais novo fenômeno do youtube, que ganhou ainda mais força quando os fãs das bandas coloridas o descobriram.

É claro que os fãs, pré-adolescentes, e cheios de amor por seus ídolos teens, iriam compartilhar o vídeo e xingar muito no twitter como forma de protesto. O vídeo do Felipe Neto estava rodando por toda a internet e todos só falavam naquilo. Imagino que ele não poderia prever o sucesso que o vídeo foi, mas, certamente fez algo bem pensado e, era notável que ele possuía um certo preparo para isso.

Diante disso, fiquei empolgado com as possibilidades, mas também estava frustrado por não conseguir produzir algo que realmente fosse bom. Resolvi segurar a ansiedade e produzir um vídeo mais despretensioso, chamado “Jogo da Corrente”, que consistia em dizer cinco coisas que as pessoas não sabiam sobre mim e depois indicar mais três canais. Foi a primeira corrente, hoje chamada de TAG, que chegou ao Youtube brasileiro e eu havia sido indicado pelo extinto canal Filhos de Baco.

No próximo capítulo eu conto os bastidores desse e outros vídeos de muito sucesso, sqn.

Vídeos citados:

Vagazoides – Cigarros

Não faz sentido – Gente Colorida

Sacripantagens –  Jogo da Corrente

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Videomaker, Técnico em informática, ex-Sacripanta, Vj da ex-mtv por 15 minutos e o mais importante, namorado da Vanessa, a parte do casal que presta nesse blog!